Todo mundo precisa de remédio de vez em quando



domingo, 23 de maio de 2010

About the bad things


Todas as pessoas têm defeitos. Algumas mais, algumas menos. Em umas os defeitos são mais visíveis, em outras nem tanto. Às vezes os defeitos se tornam qualidades e o contrário também. Mas nem todas as pessoas preferem os defeitos, como eu.

Eu sou preguiçosa, folgada e mimada. Sou instável, inesperada, sem graça. Meu nariz é torto, minha orelha é dobrada e meu pé é engraçado. Não posso usar salto, não sou vaidosa e sou branquela demais. Tenho um monte de espinhas, tenho condromalácia e tenho chulé. Sempre esqueço de lavar atrás da orelha, odeio tomar banho de domingo e lavar a cabeça pra mim é um tédio.

Sou um monstro quando tenho sono, quando estou com fome e quando sou contrariada. Odeio que me chamem a atenção, odeio que me digam que estou errada, odeio atrasos – embora esteja sempre atrasada. Não gosto de ser julgada, mas em segredo eu condeno todo mundo. Toda vez que percebo um castigo, penso “bem feito”. Nem sempre sou justa se o resultado não me beneficiar.

Eu bebo, eu fumo, eu falo palavrão. Eu esqueço as coisas, tanto de propósito quanto não. Sou falsa, falo mal dos outros e não me sinto culpada. Eu minto pra minha dentista e digo que usei o elástico direitinho o mês inteiro. Eu minto pro meu ortopedista e digo que tomei o remédio todas as noites. Eu minto pra minha fisioterapeuta e digo que fiz alongamento todo dia.

Não sei cozinhar e não tenho intenção de aprender. Eu falo demais, eu falo de menos. Prefiro ficar descalça, sou desorganizada, sou bagunceira. Nunca arrumo meu quarto, minha gaveta, nem lavo minha moto. Sou fresca, nojenta, infantil. Não sou tão inteligente, acredito na Wikipédia, escrevo com a velha ortografia. Às vezes sou carente demais, sou ciumenta de mais, sou estressada demais. Às vezes eu não ligo. Sou indecisa, sou teimosa, sou irritante. Morro de mau humor quando acordo, ainda mais se estiver chovendo. Quero tudo, ao mesmo tempo que não ofereço nada.

A culpa de tudo isso é dessa sinestesia idiota que eu nem lembro mais se escreve com “c” ou com “s”. Mas eu estou cansada de sentir tudo tão assim. Quero saber onde fica o botão de rewind da minha vida.