Todo mundo precisa de remédio de vez em quando



segunda-feira, 31 de maio de 2010

Meu reino por um cavalo


Sinto um aperto tão grande dentro do meu peito. Algo assim que não consigo dar nome, quase como se tivesse morrido meu bichinho de estimação favorito – não o Fluflu, porque eu realmente odiava aquele peixe dos infernos, apesar de eu ter pedido ele de presente (quem não comete erros?).

É uma coisa que eu não consigo definir. Parece que tem uma represa dentro de mim prestes a explodir, como se eu ainda não tivesse chorado tudo que eu preciso. Na verdade eu não chorei nada, há um tempo já. Coisa meio incomum pra alguém tão cinestésico.

Talvez seja essa coisa que tem deixado o meu humor tão e tão inconstante. Durante o dia eu passo de hiper feliz para depressão total, dando uma pausa em mau humor e engraçadisse.

Daí, pra deixar tudo um pouco mais complicado, eu cheguei em casa e tinha um monte de correspondência. Novo carnê do terreno (com a porcaria do aumento), conta de telefone, extrato de FGTS... coisas de gente grande. Fiquei pensando que eu queria ter 10 anos pra sempre, quando a minha avó pagava todas as minhas roupas, os meus sapatos, meu lanche...

Crescer enche o saco. Conforme os anos chegam só vem mais e mais responsabilidade. Quando é que eu vou poder parar pra descansar, hein? Quando vou tirar férias do meu trabalho, dos meus problemas, das minhas tarefas, das minhas contas..?

Eu sei, vai passar. Tudo é fase. Eu só estou cansada. Mas agorinha eu queria um cavalo e fugir de tudo.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Eu sei, não estou cumprindo.




De qualquer forma:


Poema de sete faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do -bigode,

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.


De Alguma poesia (1930)

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 23 de maio de 2010

About the bad things


Todas as pessoas têm defeitos. Algumas mais, algumas menos. Em umas os defeitos são mais visíveis, em outras nem tanto. Às vezes os defeitos se tornam qualidades e o contrário também. Mas nem todas as pessoas preferem os defeitos, como eu.

Eu sou preguiçosa, folgada e mimada. Sou instável, inesperada, sem graça. Meu nariz é torto, minha orelha é dobrada e meu pé é engraçado. Não posso usar salto, não sou vaidosa e sou branquela demais. Tenho um monte de espinhas, tenho condromalácia e tenho chulé. Sempre esqueço de lavar atrás da orelha, odeio tomar banho de domingo e lavar a cabeça pra mim é um tédio.

Sou um monstro quando tenho sono, quando estou com fome e quando sou contrariada. Odeio que me chamem a atenção, odeio que me digam que estou errada, odeio atrasos – embora esteja sempre atrasada. Não gosto de ser julgada, mas em segredo eu condeno todo mundo. Toda vez que percebo um castigo, penso “bem feito”. Nem sempre sou justa se o resultado não me beneficiar.

Eu bebo, eu fumo, eu falo palavrão. Eu esqueço as coisas, tanto de propósito quanto não. Sou falsa, falo mal dos outros e não me sinto culpada. Eu minto pra minha dentista e digo que usei o elástico direitinho o mês inteiro. Eu minto pro meu ortopedista e digo que tomei o remédio todas as noites. Eu minto pra minha fisioterapeuta e digo que fiz alongamento todo dia.

Não sei cozinhar e não tenho intenção de aprender. Eu falo demais, eu falo de menos. Prefiro ficar descalça, sou desorganizada, sou bagunceira. Nunca arrumo meu quarto, minha gaveta, nem lavo minha moto. Sou fresca, nojenta, infantil. Não sou tão inteligente, acredito na Wikipédia, escrevo com a velha ortografia. Às vezes sou carente demais, sou ciumenta de mais, sou estressada demais. Às vezes eu não ligo. Sou indecisa, sou teimosa, sou irritante. Morro de mau humor quando acordo, ainda mais se estiver chovendo. Quero tudo, ao mesmo tempo que não ofereço nada.

A culpa de tudo isso é dessa sinestesia idiota que eu nem lembro mais se escreve com “c” ou com “s”. Mas eu estou cansada de sentir tudo tão assim. Quero saber onde fica o botão de rewind da minha vida.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Peloamordedeus.


Eu não sei mesmo, mesmo, mesmo o que dizer.
Sobre nada.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Pensando sobre o que me faz feliz


Aquele comercial do Pão de Açúcar me inspira.

Eu gosto muito de sorvete. Muuuuito. Mais do que qualquer outra coisa no mundo inteiro, eu acho. Já esqueci várias brigas e desavenças numa sorveteria. Também a-do-ro chocolate. Branco, preto, com castanhas, com cookies, com passas, com flocos de arroz, com confete, com cereja, com amendoim, com crocante... até com papel, se duvidar.

Comprar roupas me deixa feliz. Mais ainda se elas estiverem em promoção, se tiverem listras ou babado. Gosto também quando erro o tamanho – tanto da roupa quanto do sapato, mas claro que pra menos. Fico feliz quando compro presentes, gosto muito mais de dá-los do que recebê-los (eu ia escrever que gosto muito mais de dar do que receber, mas tive um pressentimento de que não ia ficar legal...).

Fico muito contente quando encontro músicas que dizem tudo o que eu queria falar, e quando a melodia define a maneira como eu me sinto. É maravilhoso quando isso acontece, porque eu percebo que não sou a única meio anormal. Mas às vezes eu fico meio emburrada porque eu penso: puxa, por que eu não disse isso antes?

Sou extremamente feliz ao lado dos meus amigos. Se tem algo que realmente tem o poder de transformar o meu dia é quando um deles manda um e-mail inesperado meio assim: “Ow, e ai? O que você vai fazer hoje? Vamos sair?” Topo, por que não? Amo! Todos eles, os novos, os velhos, os de Sampa, os que eu nunca vi, os do CEFAM, os da faculdade, os do trabalho, os de Marte...

Também encontro a felicidade nos filmes, seriados, livros... qualquer coisa que desvie a atenção da minha vida e me faça sonhar, imaginar, ser criativa – porque pra cada caso que você me der, eu imagino setenta possibilidades diferentes. E nas terças e quartas também, porque tem aula de inglês e espanhol e eu acho extremamente divertido aprender coisas novas. Menos albanês, porque não deu muito certo da última vez.

Fico feliz quando recebo elogios. Pode ser engraçada, esforçada, batalhadora, adulta, bonita, inteligente, docinho, gentil ou encantadora. Embora, algumas vezes, eu prefira as críticas, tanto porque estou mais acostumada quanto porque me fazem melhorar. E também porque elogios me deixam muito envergonhada – principalmente se ditos ao pé do ouvido.

Meu celular me faz feliz, ainda mais de madrugada. Mesmo eu penando pra caramba pra responder as mensagens morrendo de sono, meio cega, num celular touch screen. Me divirto quando esqueço completamente o que eu falei de madrugada, e daí eu penso: nossa, o que eu tanto falei em cinco minutos??? Nunca acerto, claro...

Fico feliz por não ter mais que usar chapinha pra deixar o cabelo liso, e quando alguém nota que eu emagreci meus nada queridos 8 quilos. Acho engraçado quando a minha avó exagera: nossa, filha, você está sumindo! Queria que fosse verdade, hehe.

Sair do serviço às cinco, quando a maioria dos meus amigos sai às seis me deixa happy. Isso porque eu entro no Orkut primeiro que todo mundo e faço a limpa na “colheita feliz” de todos eles, e fico mais rica!

Chegar em casa no domingo à tarde e perceber que tem um perfume em mim que não é meu sempre me rouba um sorriso, ou quando eu to com frio e de repente aparece uma blusa estendida, bem quentinha pra eu usufruir. Também quando eu fico com vergonha, mas recebo um abraço como recompensa.

Meu amigo William Shakespeare disse que a alegria evita mil males e prolonga a vida. Então eu acho que tem algumas coisas que me farão viver eternamente!