Todo mundo precisa de remédio de vez em quando



sexta-feira, 25 de junho de 2010

Uma caipira em Curitiba – Parte IV – Final


Pois é, é chegada sexta-feira, dia de voltar ao meu mosaico lindo e colorido. Esses dias passados em Curitiba fizeram muito bem pra mim, tanto profissional, quanto emocional e pessoalmente. A Lilian e o Rodrigo até perceberam que as planilhas que precisei elaborar por aqui não foram tão coloridas quanto às de costume, talvez um sinal de que eu cresci mais do que esperava.

Mas, como em todo conto de fadas, nem tudo são rosas. Claro que alguma coisa tinha que acontecer, porque senão não ia ter assunto interessante pra escrever. Eu já estava pensando num final sem sal, meio assim: “Isso aí, já cheguei em casa, foi tudo tão bem na volta quanto na ida, já descobri o macete, é só a gente seguir o pessoal que tudo dá certo”. Foi muito mais trágico e engraçado do que isso, e vou contar desde o começo.

Acordei meio desesperada pra fazer o check-out (nem sei se é esse o termo usado, mas como pra entrar é check-in, eu deduzi) porque o táxi ia me buscar às sete. Talvez eu não tenha mencionado, mas fui para a empresa todos os dias da semana com o mesmo taxista bacana. É um senhor moreno, falador, engraçado e que já foi lenhador. O primeiro lenhador de verdade que eu conheci na minha vida!

Fui tomar café da manhã, não me atrasei, o GT (taxista) não se atrasou, então tudo bem. Na vinda para o aeroporto eu percebi essa cidade de um jeito diferente. Tem lugares que tem muita neblina, tem lugar que não tem nada. O GT ainda comentou:

- Puxa, guria, ainda bem que tu vai embora hoje, o tempo está bom. Se fosse ontem, com certeza tu tinha se atrasado.

E eu fiquei feliz, porque o tempo para mim realmente estava bom.

Na descida do taxi tive uma surpresa. Se você viajasse a trabalho para uma cidade que você não conhece, passasse a semana toda indo para lá e para cá com pessoas desconhecidas, dependendo do serviço de outras pessoas, iria esperar que o taxista te desse um presente de despedida?! Pois é, eu fiquei muito surpresa! E muito contente também! Ganhei uma camiseta linda, cor-de-rosa, com o desenho de Curitiba. Adoreeeei! Eu tinha percebido mesmo que o GT estava mais caladão, acredito que ele devia estar apreensivo com a minha reação ao presente. Eu agradeci cem vezes e lhe dei um abraço.

Então estava tudo colorido. Eu estava indo pra casa, hoje tem jogo do Brasil e eu iria assistir o segundo tempo no aeroporto de Bauru, ia comer alguma coisa em Sampa, a fila do check-in da Gol não estava muito comprida... Tudo lindo! Até o momento em que eu chego no guichê e o funcionário me diz que todos os vôos da manhã foram cancelados e eu teria que ficar aqui até amanhã, porque só tem um vôo por dia para Bauru e eu com certeza o perderia.

Como assim não vou voltar pra casa??? Ficar aqui?? De novo?

Não! Não! Não... me bateu uma revolta que eu não sei nem descrever. E sabe ainda o que o supervisor me disse? Que eles não providenciam acomodação, nem alimentação, nem nada! Que absurdo! Eu sei que não é essa a lei, que tenho direitos... Fiquei tão brava, mas tão brava! E adivinha o que aconteceu? Eu chorei, claro. Senti tudo aquilo que a já tinha visto as pessoas na televisão sentirem quando fazem reportagem sobre aeroportos (e inocente pensei que nunca na minha vida passaria por isso). É um descaso, sabe?

Fui pra um banquinho e chorei de verdade, de soluçar, pingar água do nariz e borrar toda a maquiagem. Justo hoje que eu passei um monte de rímel acontece isso. Fiquei com a cara toda preta. Devo ter parecido uma criança bagunçada. Ah, não estou nem ai, nunca mais essas pessoas vão me ver.

Daí liguei naquele estado para o meu namorado. O coitado ficou meio desesperado, tadinho. Mas é que eu também estava desesperada. Queria tanto ir pra casa! Adorei tudo aqui, mas estou cansada, com saudade... Ele me instruiu mais ou menos o que fazer e eu me acalmei pra entrar em contato onde trabalho. E, como hoje é dia de jogo, a pessoa responsável não estava lá. Grande dia, não? Sorte que eu tenho o celular dela, liguei e pedi socorro.

Tudo resolvido. Cancelei o trecho de São Paulo/Bauru, vou pegar o vôo aqui mais tarde e tem um carro de Bauru que vai me pegar e me levar pra casa. Vou chegar bem mais tarde, vai ser muito mais cansativo, porém se eu ficasse aqui ia morrer de desidratação, porque ia chorar até amanhecer – e por conta da Gol, senão eu ia fazer um escândalo, embora não seja do meu feitio.

Então é isso. Estou aqui matando o tempo até dar o horário de embarque, e resolvi escrever porque estava tudo quentinho na minha cabeça, e também porque ainda estou muito borrada pra dar uma volta por ai. Claro, não discordo, a experiência valeu muito a pena. Até esta ruim. Podia ser que eu nunca passasse por isso na minha vida.

De qualquer forma, aqui vão algumas dicas, de coisas que eu aprendi durante esses dias:

• Se você nunca viajou sozinho, converse com o máximo de pessoas possível para pelo menos ter uma noção do que você vai enfrentar.
• Se o seu tio trabalha no aeroporto, veja com ele o que pode e o que não pode ser levado na mala alguns dias antes de arrumá-la, e não uma hora antes de sair de casa.
• Se a sua avó disser pra você levar um chinelo, leve, porque você vai precisar.
• Quando for comer em algum lugar que você não conhece, assegure-se que de eles tem frango se você não come carne.
• Deixe sempre suas coisas arrumadas para o dia seguinte, para o caso de você acordar atrasado.
• Faça sua mala muito bem organizada, porque pode acontecer de você ter que abri-la na frente de todo mundo porque não tem idéia de onde enfiou o seu documento – e se for dar três pulinhos para o São Longuinho depois que achou o documento, eu sugiro que os dê no banheiro para que as pessoas não fiquem olhando estranho pra você.
• Leve um passatempo caso você fique preso no aeroporto por motivos do além.
• Lembre-se de carregar as baterias dos seus celulares no dia anterior ao retorno pra sua casa, porque pode acontecer emergências e você ter que deixar os aparelhos desligados para poder usar depois.
• Não leve todas as roupas e sapatos que você quer, porque você usa só metade.
• Leve todas as roupas que você quer, porque se você não levar, vai querer usá-las.
• Não passe rímel para ir em aeroportos, ou em qualquer situação em que você possa se decepcionar.
• Não desespere o seu namorado, porque senão ele liga de cinco em cinco minutos e acaba aquele restinho de bateria que você tinha.
• Se a sua cunhada já tiver sido aeromoça, leve um papo com ela antes de viajar pra saber dos seus direitos e o que fazer quando as coisas dão errado.

Pra finalizar, aproveite cada segundo e se divirta bastante!

Dear passengers, we are ready to board now.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Uma caipira em Curitiba – Parte III


Nada de acordar atrasada! (Fiquei traumatizada e coloquei o celular pra despertar BEEM alto). Porém, desde que cheguei aqui nada é perfeito. Resolvi misturar o remédio pra sinusite com paracetamol e isso virou uma bomba atômica no meu estômago. Só consegui dormir porque estava realmente morta de cansaço, mas não foi por muito tempo. Suei frio, tive náuseas, muita dor... quase liguei pra casa pedindo socorro, mas de que ia adiantar? Foi a primeira noite que me senti realmente sozinha.

Porém, pra compensar, tomei um baita café da manhã, um por hoje e outro pelo que perdi na manhã anterior. Só doce, tudo cheio de açúcar, e espero que a minha avó não fique sabendo.

Fiquei um pouco ansiosa para dar a hora de embora porque eu estava morrendo de lombriga de ir naquela loja ver o relógio. Atravessei a rua e fui lá assim que pude – no terceiro shopping, no terceiro dia : ). Mas primeiro fui dar uma volta e escolher o que jantar. Nada me chamou a atenção e eu acabei comendo no Mc mesmo, pra desagrado completo do De: Ô menina, você está em Curitiba! Vai comer coisas legais!

Então, lá fomos eu e meu casaco novo na loja da TNG.

- Moça, eu posso provar aquele relógio da vitrine que troca de pulseira?

- Não.

(brincadeira...)

- Moça, eu posso provar aquele relógio da vitrine que troca de pulseira?

- Claro, vou pegar pra você.

Sabe, eu me decepcionei. Não ficou aqueeeela coisa que eu esperava no meu pulso. Acho que eu sou muito fininha. Mas se seu não comprasse ia ficar semanas pensando que poderia ter comprado. E minha avó diz que mais vale um gosto que dinheiro no bolso. E pra finalizar, tem uma amarela e a moça me convenceu de que eu iria usar na Copa. Comprei, ainda mais porque as pulseiras têm um cheirinho engraçado.

Por falar em cheiro, esqueci de mencionar que o hotel cheira baunilha.

Voltei pro hotel toda feliz. Eu, meu casaco, um saquinho do Mc (porque eu não consegui comer tudo), uma sacola da farmácia (porque eu precisei de uma pinça), a sacola da TNG e o um pote de sorvete. Pensa numa criança. Agora encapota ela e pôe um capuz cheio de pelinhos e faz ela saltitar pela rua cantando. Essa era eu! Ia ficar meio chato se eu mencionasse que o relógio estava meio riscado e eu tive que voltar na loja pra trocar, mas realmente aconteceu. Tudo bem, é só atravessar o quarteirão!

Eu cresci um pouco esses dias. É meio bom ter essa independência. E eu estou contente com todas as novidades do meu serviço. Mãe, sua filha é Analista Contábil! Trainee ainda, mas tá valendo!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Uma caipira em Curitiba - Parte II


Ponto pra quem pensou que justo no primeiro dia eu já iria acordar atrasada. Bem típico de mim. Culpa da noite mal dormida (ora frio, ora calor), da preguiça de levantar pra fazer xixi e de ter a brilhante idéia de por o despertador para vibrar em cima de uma cama macia. Ainda bem que eu tive um sonho muito engraçado que não conseguia de jeito nenhum chegar no trabalho e acabei acordando. O taxi vinha me buscar 7:15. Despertei às 6:49. Bonito, não? Tudo bem, amanhã eu tomo um belo café da manhã pra compensar a falta do de hoje.

Choveu!! O que significa que está frio. : )

Dia no trabalho foi tranqüilo, conheci muita gente bacana! Fui muito bem recebida e como sempre, a Lilian foi um doce de pessoa comigo. Não sei bem de que planeta eles pensam que eu sou, mas o Rodrigo quer que eu lhe apresente uma fazendeira rica – e velha, de preferência.

Mais tarde fui no shopping com a Lilian. Nos divertimos muito! Ela é muito mais legal do que eu me lembrava, fez eu me sentir completamente em casa. Até me deu uma super idéia do presente pra eu levar pro meu namorado (espero que ele goste!).

Não comentei que errei o caminho para o shopping ontem. Daí fiquei com vergonha de dar meia volta pela rua porque tinha muita gente. O jeito foi disfarçar e entrar numa farmácia. Foi então que aconteceu um milagre: do outro lado da rua tem uma loja daquele relógio que estou morrendo de lombriga pra comprar e não existe mais na internet! Só que hoje eu descobri que aquilo não é uma loja, é um pedaço de um outro shopping! Eu fiz uma confusão danada e nem sei mais onde é leste e oeste. O ponto positivo é que nessa loja tem o meu relógioooo! Iuhuuu!

No hotel foi tudo (quase) beleza até eu querer usar o secador, que pra meu desapontamento não funciona. Claro que eu pensei que deveria ter algum truque, assim como o lance da energia. Dessa vez liguei mesmo pra recepção, e o moço disse que deve estar com problema mesmo, e que amanhã vem alguém consertar. Só amanhã... puxa.

Estou com sono e contente com a minha vida de gente grande. Dá até vontade de morar sozinha. Talvez algum dia eu vire curitibana.

domingo, 20 de junho de 2010

Uma caipira no Paraná – Parte I


É isso aí. De vez em quando a gente precisa ser um pouco gente grande. No meu caso, muuuuito gente grande :)! Já pensou fazer a primeira viagem sozinha, a trabalho e para um estado diferente? Eu sei que não parece muita coisa, mas para uma pessoa boba, distraída, sem noção e atrapalhada como eu é uma verdadeira aventura! Sou quase uma Indiana Jones.

Pra começar é claro que eu nunca tinha andado de avião. Daí, logo na primeira vez preciso pegar dois e fazer conexão. Eu sobrevivi e vou contar a minha experiência.

Se fosse comum eu andar de avião e visse alguém como eu a bordo, com certeza saberia que era a primeira vez. Para a minha sorte, sentei bem na janelinha! E pode apostar que eu não tirei a cara dela. Achei engraçado o decolar e o aterrissar, pareceu pra mim um grande elevador, ou um brinquedo de parque de diversões. É estranho pensar que pode cair. Fiquei o tempo todo imaginando quantos segundos levaria pra chegar ao chão e se todo mundo iria gritar.

Como a minha região é linda! Eu fiquei completamente apaixonada... É tudo um grande mosaico colorido de verdes e marrons. Mas chegando perto da – argh, eca! – grande São Paulo, o chão começou a me lembrar veias gordas e engraçadas. E havia alguns pontos brilhantes lá no fundo, tipo diamante, que eu acho que eram as antenas das casas. Não gosto daquela cidade. Ainda bem que foi rapidinho.

Eu arrumei um bom conselho pra mim mesma: na dúvida, imite os outros! Nem foi tão difícil assim fazer conexão. Na verdade aeroporto é apenas uma rodoviária um pouco mais chique. E tem coisas mais legais pra comer. Outro conselho pra mim mesma: não tente andar com um copo grande de café, porque cai na roupa.

Vindo pra Curitiba, novamente vieram os mosaicos. Mas eles eram muito mais escuros e sem graça. Tive a impressão de que o avião não parou de subir um minuto sequer. Daí a paisagem ficou muito sem graça, talvez estivesse nublado e então resolvi tirar um cochilo. Então, quando eu acordei nós estávamos muito acima das nuvens e foi a segunda coisa mais linda que eu vi no dia. Como elas parecem algodão! Pensei que se me jogasse da janelinha – sim, tive a sorte de pegá-la de novo – e caísse nelas, sairia kickando como uma bola de basquete.

O azar foi ter pego o vôo bem na hora do jogo do Brasil. Copa do Mundo, poxa! O piloto até que foi bonzinho e nos informou de vez em quando o placar, assim como disse que estávamos a 9.800 metros do chão (que deve ser muita coisa pela minha visão da janelinha) e que em Curitiba estava fazendo vinte graus. Vinte graus??!! Como assim? E aquele frio todo para o qual eu me preparei psicologicamente o mês inteiro?? E os meus dois casacos novos??

E não é que eu cheguei e estava calor mesmo? As pessoas que me viram no aeroporto de casacão peludo devem ter pensado que eu vinha do Alaska. Ainda bem que o taxista era gente boa e me disse que com certeza eu ia utilizar meu casacão essa semana :).

Vim para o hotel no meio do segundo tempo. Dooooida pra ver o fim do jogo. Mas quem disse que tinha energia no quarto? Tentei um controle, tentei o outro, vi se tinha tomada, liguei as luzes e nada. Nada funcionava. Adivinha o que aconteceu? O Brasil fez um gol. Bem nessa hora, droga! Daí me deu desespero e eu estava quase ligando na recepção porque pensei que eles precisassem de algum tempo pra me liberar energia. Então eu vi um treco perto da porta que cabia um cartão. Coloquei o meu lá e fez-se a luz. Só deu pra ver o Kaká ser expulso, mas valeu a pena.

Fui no shopping jantar. Pra variar, Mc. Estava sem paciência pra escolher e estava meio tarde. Depois peguei um refrigerante e esqueci de pegar a notinha. A primeira, vamos ver quantas eu esqueço até o fim da viagem.

Mas agora estou contente. O meu amigo velhinho taxista disse que se chovesse ia esfriar bem. E está chovendoooo :)!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Menina


O que se pode dizer de uma pessoa que adora sertanejo, punk e eletrônica? Que aaaaaaama festa junina e odeia natal e aniversário? Que é apaixonada pelos sobrinhos, mas não quando eles babam? Que leu 698 páginas de “Um bestseller pra chamar de meu” em uma semana e demora 3 meses pra ler as últimas 50?

Eu sou meio assim. Uma mistura de tudo, um pedacinho de cada coisa que eu mais gosto. Nunca tenha manias engraçadas perto de mim porque eu roubo todas... Faço o bico da Fer, as caretas da Dani, uso as expressões da Lela, arregalo os olhos como o Fernando, falo manhoso como o De, uso o “huuuum” da Lidi e mais um monte de coisa.
Eu sei, deve ser falta de originalidade.

Gosto muito de unha colorida e pareço criança numa loja de doces quando vou a manicure. Por mim eu pintava uma unha de cada cor – e juro que ultimamente tenho sido incentivada a isso. Cores! Eu adoro todas elas! Ainda mais as engraçadas.

Acho que ainda não cresci tudo que precisava pra ser adulta. Preciso parar de fazer manha, de querer colo, de amar sorvete, de colecionar bichinho de pelúcia, de rir escandalosamente, de ser apaixonada por lápis de cor, de ver desenho, de dar pulinhos quando estou feliz, de tomar Yakult pelo fundo. A vida de gente grande não é tão legal quanto a gente pensa. Eu devia ter estado na estação certa quando era mais nova.

De qualquer forma, ainda tem muito tempo pela frente. E, quem sabe, eu posso me mudar várias vezes ainda. Não uma metamorfose ambulante (porque eu não gosto muito de Raul, não), mas alguém que não seja enjoável.